ENVIADO DO ESTADÃO PRESO NA LÍBIA É LIBERTADO.

11/03/2011 00:26

 

Andrei Netto foi detido oeste da capital Trípoli enquanto cobria os confrontos (Agência Estado)

Andrei Netto esteve preso por oito dias

O repórter Andrei Netto, enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo à Líbia, deve deixar o país entre esta quinta, 10, e sexta-feira, 11, e voltar a Paris, onde mora. Netto foi preso no dia 2 de março por quatro homens na fronteira com a Tunísia, quando tentava regularizar os documentos de entrada na Líbia. Ele foi libertado nesta quinta e está na casa do embaixador brasileiro em Trípoli, George Ney Fernandes.

No último dia 2, ao ser abordado, segundo informações do Grupo Estado, o repórter recebeu uma coronhada e teve o rosto coberto por um capuz. Ainda que não tenha certeza para onde foi levado, Netto teria ficado recluso em uma cela, provavelmente em uma base militar.

Segundo o Grupo Estado, o correspondente do jornal britânico "The Guardian", o iraquiano Ghaith Abdul-Ahad, foi preso junto com Netto, mas foi levado para outro local e o repórter brasileiro não sabe onde ele está neste momento. De acordo com o jornal, Netto pediu acesso ao embaixador brasileiro na Líbia durante todo o tempo em que permaneceu preso, mas não foi atendido pelos líbios.

O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, disse nesta quinta em entrevista coletiva que o fluxo de informações sobre o paradeiro do repórter brasileiro nas últimas 48 horas, aliado à atuação diplomática entre Líbia e Brasil, foi fundamental para que o enviado especial fosse localizado e solto. Somente na sexta as autoridades da Líbia confirmaram que o repórter estava preso.

Netto estava no país desde 19 de fevereiro e perdeu o contato direto com o Grupo Estado no último dia 2. No dia 7, o Grupo Estado soube, por informações indiretas, que Netto poderia estar preso. As embaixadas do Brasil e da Líbia foram informadas neste dia, assim como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e veículos de imprensa.O repórter Lourival SantAnna, também enviado especial do jornal, vai permanecer na Líbia.

O enviado especial do Estado ao oeste da Líbia, Andrei Netto, disse em entrevista nesta quinta-feira, 10, que ficou incomunicável em uma prisão nos arredores de Trípoli nos oito dias em que esteve preso. De acordo com o repórter, ele e o iraquiano Ghaith Abdul-Ahad, enviado do jornal britânico The Guardian, foram presos na cidade de Sabrata, enquanto tentavam chegar à capital líbia.

O brasileiro foi obrigado a deixar o país para ser libertado. Netto diz não ter sido agredido fisicamente na prisão, mas sofreu psicologicamente com o isolamento. 'Fiquei isolado sem poder ver a luz do sol. Senti o vento soprando no meu rosto pela primeira vez em oito dias', disse o jornalista após a libertação. Ele está abrigado na casa do embaixador brasileiro na Líbia, George Ney Fernandes.

Segundo Netto, ele e seu colega iraquiano entraram na Líbia pela fronteira com a Tunísia. Eles entraram na Líbia com o auxilio de um grupo de rebeldes e não conseguiram obter visto de entrada no posto fronteiriço de Dehiba. 'Nós tentamos (o visto) em Paris e em Túnis. Nas duas cidades os consulados estavam fechado. Quando voltamos ao posto de Dehiba, o local estava tomado por confrontos', disse. Ainda de acordo com o repórter, ele esteve em contato com a embaixada brasileira em Trípoli o tempo todo para poder obter o visto.

Netto e Abdul-Ahad tentaram chegar a Trípoli com o auxílio de moradores das cidades próximas. Ao chegarem a Sabrata, cidade pró-Kadafi, concordaram em tentar atingir a capital por meio de Az-Zawiyah, palco de confrontos entre rebeldes e forças do ditador. Eles foram abrigados por um morador de Sabrata, mas acabaram expulsos do local na quarta-feira, 2. Ao chegarem na praça da cidade, foram cercados por mercenários pró-Kadafi e presos. Netto relata ter levado uma coronhada na cabeça. De lá, os milicianos entregaram os jornalistas para o Exército e a polícia de Sabrata. As forças de segurança então transferiram os dois repórteres para uma prisão nos arredores de Trípoli .

Segundo Netto, sua libertação só foi possível devido à atuação da embaixada brasileira em Trípoli e à boa relação entre os dois países. 'O Ahad é iraquiano e trabalha para um jornal britânico, um governo tido como hostil pelo governo líbio. Mas não podemos esquecer que ele continua preso', disse.

 


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