DEDÃO DO PÉ DE MÚMIA EGÍPICIA É A PRÓTESE MAIS ANTIGA DA HISTÓRIA

15/02/2011 00:21

Jacky Finch

Os egípcios já usavam próteses para ajudar pessoas com amputações nos pés a caminhar no ano 600 a.C., revelou, nesta segunda-feira (14), uma pesquisa da Universidade de Manchester, no Reino Unido. 

A autora do estudo, a egiptóloga Jacky Finch, identificou dois dedos do pé artificiais, um deles encontrado nas extremidades de uma múmia, e chegou à conclusão de que podem ser as próteses mais antigas das quais se tem notícia. 

Uma delas é um artefato de madeira e pele de três peças, do Museu Egípcio do Cairo, e a segunda um dedo artificial fabricado com uma espécie de papel machê feito de linho, cola e gesso que está exposto no Museu Britânico de Londres. 

Finch está convencida de que as próteses, que datam do ano 600 a.C., foram usadas para ajudar pessoas amputadas a se locomover centenas de anos antes de os romanos passarem a empregar pernas artificiais. 

Para provar sua teoria, a egiptóloga trabalhou com dois voluntários que não tinham o dedão do pé direito utilizando réplicas exatas dos artefatos egípcios. Em seguida, pediu que os voluntários calçassem sandálias como as da época, e um deles foi capaz de caminhar com grande eficácia com as duas próteses. 

Os dois voluntários concordaram que se sentiram especialmente confortáveis com a prótese do Museu do Cairo, que conta com uma dobradiça para facilitar o movimento. Por outro lado, a peça do Museu Britânico se deteriorava de maneira considerável, o que a tornava incômoda. 

Finch explicou à revista médica The Lancet que as réplicas passaram por uma série de testes, como a resistência às forças usadas durante o processo de caminhar, proporção e aparência, elementos fundamentais para avaliar a eficácia das próteses. 

A deterioração do dedo artificial de Londres e a sofisticação do design do dedo do Cairo levaram a egiptóloga à conclusão de que "esses artefatos foram usados por seus proprietários em vida e não simplesmente acrescentados durante o processo de mumificação ou por razões religiosas ou ritualísticas".

 

- Minhas descobertas sugerem com solidez que os dois projetos foram capazes de funcionar como peças de substituição para o dedo do pé perdido e que, portanto, podem ser classificados como próteses.

 

Se esse for o caso, ela conclui, "parece que as primeiras manifestações desse ramo da medicina devem ser atribuídas claramente aos antigos egípcios".

R7.com


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