AUMENTO DE RADIAÇÃO FAZ GOVERNO JAPONÊS RETIRAR FUNCUIONÁRIOS DE USINA NUCLEAR.

16/03/2011 00:49

O governo japonês afirmou nesta quarta-feira que um pico nos níveis de radiação na usina nuclear de Fukushima obrigaram os técnicos a suspender as tentativas de estabilizar os reatores.

Momentos antes, a usina (no nordeste do Japão) começou a expelir uma fumaça branca, intensificando os temores de acidente radioativo. A fumaça teve início poucas horas após a ocorrência de um novo incêndio no reator 4 da instalação, que ainda estava sendo combatido.

Segundo a Tokyo Electric Power Co (Tepco), que opera a usina, a fumaça poderia ser um vapor, produzido pelo superaquecimento de um taque de combustível. A usina já havia sofrido outras quatro explosões, que provocaram o vazamento de elementos radioativos.

Os técnicos estavam trabalhando em Fukushima, jogando água do mar nos reatores para tentar estabilizá-los e evitar um superaquecimento.

Neve

O sistema de resfriamento de Fukushima foi danificado durante o terremoto de 9 graus de magnitude e o tsunami que devastaram a costa leste do país na sexta-feira. Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação, suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos. O governo confirmou a morte de mais de 3 mil pessoas, mas teme que o número seja superior a 10 mil.

Cerca de 500 mil pessoas estão em abrigos temporários, que sofrem com a falta de comida, água, eletricidade e combustível. Também há escassez de cobertores em alguns lugares, enquanto a meteorologia prevê temperaturas abaixo de zero e nevascas.

AIEA

Nesta terça-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) anunciou estar monitorando os níveis de radiação nas proximidades da usina e que a quantidade de radiação nas regiões próximas vinha diminuindo significativamente desde a madrugada.

A AIEA disse que outras usinas nucleares japonesas, como Onagawa, Tokai e Fukushima Daini estão "estáveis e seguras", mas que a situação em Daiichi, onde estão os reatores danificados, ainda era preocupante.

Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear. De acordo com a AIEA, 150 pessoas na região da usina foram examinadas para detectar possíveis contaminações por radiação. Já foram tomadas medidas para a descontaminação de 23 pessoas.

Cenário

Cidade no Japão 'parece set de filme catástrofe', conta repórter brasileiro A agência diz que o total de radiação a que uma pessoa normalmente se expõe durante um ano, contando todas as fontes normais, é de cerca de 2,4 milisieverts (unidade de medida que avalia os efeitos da radiação absorvida pelo organismo). Pessoas que vivem nas proximidades de instalações nucleares estão expostas a uma dose de 1 milisievert adicional ao ano, segundo a agência. Dentro da usina de Fukushima Daiichi, uma medição chegou a detectar 400 milisieverts de radiação no ar, entre os reatores número 3 e número 4. Nos arredores da instalação, a quantidade de radiação liberada no ar chegou a atingir 11,9 milisieverts, mas caiu para 0,6 milisieverts seis horas depois. A Organização Meteorológica Mundial disse que ventos começam a dispersar o material radioativo do ar para o oceano. No entanto, há previsões de que a direção das correntes de ar mudem na quarta-feira.

 

 


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